Eu e o grupo de IP Trainers fomos a Kyoto nos dias 26 e 27 de novembro como parte do curso. Fomos de Shinkansen, o trem bala, visitamos a Universidade de Kyoto (a cidade tem várias universidades, faculdades e colégios) e visitamos dois dos principais templos.
Kyoto inteira é considerada Herança Cultural da Humanidade. Depois que você visita um templo vc já está concordando. Depois que te dizem que estima-se que existam 3.000 templos na cidade vc fica realmente impressionado (puxa… e eu só fui a dois!!!).
Durante a Segunda Guerra Mundial a cidade foi poupada dos bombardeios porque havia alguém entre os americanos (esqueci o nome) que insistiu para que a cidade fosse poupada devido aos tesouros que guardava. A cidade chegou a ser incluída como possível alvo da bomba atômica!!! Exatamente por ser um dos principais berços da cultura japonesa… o que tornaria sua destruição um golpe muito mais dolorido do que destruição de outras cidades. Ainda bem que desistiram. Exatamente por ter sido poupada, Kyoto é uma das poucas cidades em que são encontradas construções legitimamente tradicionais ou antigas.
Olhando superficialmente, Kyoto parece com qualquer outra grande cidade. Tem cerca de 1,5 milhões de habitantes, um paredão de montanhas de um lado e um rio que a cruza de norte a sul. Alguns templos estão bem à vista. Mas a grande maioria é discreta… atrás de muros ou no meio de parques.
Novembro é um dos meses disputados em Kyoto. É outono e a galera fica ensandecida para ver as maravilhosas paisagens enfeitadas de vermelho e dourado. Como sou uma seguidora do mote “em Roma faça como os romanos”, deixei-me ensandecer também e desenvolvi um dedo nervoso no disparador da câmera fotográfica. Portanto separei esse post em três partes.
Eu voltei lá no meio de janeiro (futuro post Kyoto parte 4) e embora tudo continuasse lindo, a diferença na vegetação é gritante. Onde antes a floresta parecia pegar fogo, agora via-se muitas árvores peladas.
Mas de qualquer maneira esse post é sobre Kyoto no finzinho de novembro… Um frio!!! Kyoto é mais fria que Tokyo.
O grupo era bem grandinho, 14 integrantes do curso de IP Trainers, 2 de pesquisa (eu e o Lu), a intérprete e dois tomando conta (um da APIC e outro da AOTS). Fomos pegar o Shinkansen na estação Tokyo que é IMENSA (mas não é a maior) e como era a maior galera e os japas que tomavam conta de nós ficavam meio preocupados em ninguém se perder (sempre tem um perdido…), um dos nossos colegas indianos, o Sr. Ganesh (sim… esse é o nome dele de verdade, eu tenho o cartão para provar!) levantou o guarda-chuva e ficou andando que nem aqueles guias de turismo com uma bandeirinha. Apesar de ser engraçado funcionou muito bem e eu não resisti e tirei fotos.

A estação Tokyo, cheia de gente e nosso guia lá na frente. Admitamos... foi útil. Ninguém se perdeu!
É raro eu colocar alguma foto comigo aqui, especialmente porque como eu ando sozinha e não gosto de pedir para os outros tirarem fotos de mim (e acreditem… apesar de serem japoneses, a galera por aqui se enrola com a minha câmera japonesa!!) desta vez eu tenho algumas fotos com a minha carinha.

Alguém me pediu para tirar uma foto em frente ao Shinkansen e depois se ofereceu para tirar uma minha... bem... deixei né?
Me apaixonei pelo Shinkansen. MUITO mais confortável que um avião. MUITO espaço para as pernas. MUITO silencioso e não vibra NADA. E o melhor: ao invés de ter que chegar com horas de antecedência para pegar um avião, aqui vc chega 10 min antes e tá legal! Nada de ser revistado, pode levar o que quiser na bagagem… o paraíso do viajante. O preço é semelhante ao de uma passagem aérea. Um avião demoraria 1 h pra chegar em Kyoto, o Nozomi (há vários tipos de shinkansen, esse é o mais rápido chegando a 300 km/h) demora 2:20h. Só que os aeroportos aqui são longe… e o de Kyoto tb é longe.
Bem…chegamos na estação de Kyoto que é super modernosa, almoçamos rapidinho e formos para a Universidade assistir uma palestra altamente soporífera.

Universidade de Kyoto. Quando vc entra em algum dos prédios também tem que tirar os sapatos. Para os visitantes há flip-flops, os alunos e professores costumam levar seus próprios chinelinhos.
Depois da palestra, check-in no hotel e noite livre. Eu e a Gladys (das Filipinas) e Yoko-san (a intérprete que já era amiga da Gladys) fomos andar pela cidade. Aliás Yoko-san foi nos mostrar a parte mais tradicional. Mas antes passamos pela estação novamente pq ela queria tirar dinheiro no caixa eletrônico. Na frente da estação fica a Kyoto Tower, prima mais modesta da Tokyo Tower. Dentro da estação havia uma árvore de natal gigante. Subimos por dentro da estação (que é ôca, como o casco de um navio – essa é a idéia) para vê-la.

A mesma árvore vista do alto das escadas rolantes. Ficou pequena!! Lá de cima uma interessante, e congelante, vista de Kyoto.
Lá no alto a Yoko-san quis nos mostrar um dos lados da vista e foi direto na direção de uma das muretas. Só que o que ela não viu e eu e a Gladys sim é que havia um casalzinho de namorados lá! E não estava escuro nem nada. Ela estava tão distraída que só os viu quando quase tropeçou neles. Foi uma cena esquisita. Eu, Gladys e até o casalzinho olhando para Yoko-san e ela nem aí. Tadinha… pediu um milhão de desculpas e depois ficou rindo sem graça pra gente. Ela é um amor.
Pegamos um taxi e fomos pro bairro Gion. É o bairro que tem os restaurantes típicos, os bares e… as Gueixas!!! As verdadeiras, não as fake (turistas vestidas de gueixa). As ruas em geral são todas estreitinhas.

Ruazinha típica da parte tradicional do bairro Gion. Lâmpadas e arquitetura muito próprias da cidade.
Fomos para um restaurantezinho muito simpático e bem escondido. No caminho demos de cara com a gravação de alguma coisa: novela, filme, série… sabe-se lá. Mas havia um sujeito de terno com duas moças vestidas de maikos. A intérprete insistiu para eu tirar uma foto.

A filmagem... O contra-regra não gostou de me ver tirando uma foto... fomos enxotadas. Mas tudo bem... eles estavam enxotando todo mundo. Mas aquele era o caminho pro restaurante.
O engraçado era que o restaurante ficava ao lado de uma pontezinha que ficou famosa porcausa de uma novela. Eu não tirei foto mas descobri depois que há uma foto desta mesma ponte com o restaurante ao fundo no meu guia de viagem que é aquele Guia Visual da Publifolha… Odd!!!
Enquanto estávamos jantando o pessoal da gravação veio parar na frente da pontezinha e minhas acompanhantes ficaram espiando o que estava acontecendo. Quando saímos do restaurante a equipe ainda estava lá e o mesmo contra-regra nos viu. Só que desta vez ele não tentou nos enxotar. Afinal.. a gente estava no direito de estar ali. Acabáramos de sair do restaurante! Como não ia dar pra sair por aquele lado por causa da gravação (devia se passar pelos anos 50 ou 60 devido à aparência de um carro que estava sendo utilizado), fomos pelo outro lado. Yoko-san queria nos mostrar o bairro das gueixas propriamente dito. E demos sorte. Indo para lá vimos uma gueixa verdadeira na sua corridinha típica. A intérprete disse para tirar foto pq elas não param pra ninguém. Os turistas podem pensar que sim, mas elas NÃO SÃO atrações turísticas. Tempo é dinheiro para elas.
Do outro lado da rua que a Gueixa ia atravessar ficam os restaurantes REALMENTE tradicionais. Vc não pode simplesmente entrar ou mesmo tentar fazer uma reserva. Para conseguir uma reserva algum dos frequentadores habituais tem que apresentar vc. Isso é que é QI!!! Em frente ao principal restaurante fica sempre uma galerinha pra ver as gueixas entrando e saindo. Confesso que achei meio mico fazer isso… passamos direto e ficamos andando por ali com a intérprete contando causos envolvendo gueixas famosas. Ela nos mostrou algumas das casas de gueixas. Há um pedaço de madeira escura com o nome da casa e madeiras claras com os nomes das gueixas e das maikos.
Depois disso pegamos outro taxi e voltamos para o hotel. Dormir, descansar pq o dia seguinte haveria dois templos pra visitar.






Muito SSSHHHHHHHHHHHHHHHHHHOOOOOOOWWWWWWWWWWWW. Você têm que transformar esta experiência em livro. Não cansarei de escrever. E você já está falando japonês?.
Abraços,
Mauricio